segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Na rede nos debulhamos pela ultima vez
Teu corpo deliciosamente encaixado
Balançava para acordar o   fogo
Chama que hora e outra acende
No quarto te vejo pelas paredes
Como as lembranças velozes
Dos teus gemidos
Das tuas pernas
Dos teus saborosos gritos
Forte, rápido,  com todo prazer.
Uma música como chá para acalmar os ânimos
E nas lembranças a  rede balança. 

Alexandre Lucas   

domingo, 1 de outubro de 2017

Que os traços simples
Desenhem
Podem ser nuvens
Passageiras até
Intensas e leves
Que refaçam brilhos 
Que brinquem com a imaginação
Que sentem na calçada 
De uma praça qualquer 
Tome sorvete 
Para instigar o desejo 
Que seja simples 
Como o arroz e feijão
Tão trivial e necessário 
Esse é o requinte 
Mastigado na delicadeza 
Que transforma o vago, o simples 
Num verso de encanto.

Alexandre Lucas

Comuna de prazer
Eis a cidade corpo
Com suas avenidas e curvas
Suas casas e suas fabricas de sonhos
Suas vielas molhadas
O detalhe dos altos 
Querendo se libertar das rendas 
E entre palavras e imagens
Teu corpo comuna se materializa 
Teus olhos se fazem semáforos 
De uma só cor: Verde 
Vou atravessar 
Para temperar o aperto nos lábios 
Para sentir o engarrafamento dos corpos 
Impregnados de humanidade
A cidade fria e a cidade quente 
Pede um tempo comuna 
Em que corpo seja uma canção fraterna 
De uma terra solidária
Que as mãos se misturem com as bocas
Para construírem rios de turbulentos gemidos 
Com casas fartas de pão, risos e emancipação.

Alexandre Lucas


Minha vó
Ensinou-me a escolher laranjas e pequis
E tentou ainda me ensinar a desenrolar sacos numa paciência interminável
Talvez sacos não sejam difíceis de desenrolar
Já a paciência é outra coisa
Lembro-me daquela senhorinha 
Franzina, cabelo branco e disposta
Dona Maria 
Como muitas marias 
Perdeu parte do brilho da vida 
Perdendo a vida do filho 
A rede de vó balança na memória 
Como a casa cheia
e o desejo de aprender a desenrolar sacos.

Alexandre Lucas


Entre tentar e fracassar
Guardo uma coleção de amores
Escrevo com as lágrimas ditando palavras inchadas de saudades
Dos risos soltos e dos largos prazeres cantarolados em gemidos
Histórias partidas
Como a maçã mordida
Que não se recompõe.

Alexandre Lucas

Afaste-se
sangro pela boca
A mesma que pronuncia o verbo do gozo e dar dor
Estou em rios
Como uma menstruação
Esvai-se parte que se renova 
Não chegue perto 
Deixe-me sagrando 
Enquanto escuto 
Os barulhos das correntezas sanguíneas.

Alexandre Lucas

Eu me mato
Com um cordão de verso no pescoço
Já é tarde e a indiferença ainda dorme
Nem perceberá a minha despedida
Tive pressa
E o amor não chegou 
E entre a flor do bem me quer ou mal me quer 
Prefiro sair e pular 
Da ponte que a desordem pariu.

Alexandre Lucas

Angu
Milho, sal e água
Algumas mexidas
E como a vida
Vamos (nos) mexendo
De angustia em angústia
Na brevidade na dor 
Abreviamos até a angústia
Como sinônimo de intimidade.

Alexandre Lucas

Houve um momentâneo assassinato
As ruas da alma ficarão na escuridão
Fizeram tabuleiro de desprezo e de tristeza
Na precisão da vida
Chutou-se os tabuleiros
Para ressuscitar o alivio.

Alexandre Lucas


terça-feira, 11 de julho de 2017

Ler os meus lábios em silêncio
O meu olhar tagarelo
A minha palavra inversa
Não me deixar só
Faz frio quando a leitura se cala.  

Alexandre Lucas


Quero te ver em breve
Contornar os teus olhos fechados
Senti  o teu desejo
como mãos apressadas de carinho
Acrescentar mais algumas tatuagens no teu corpo
Só para sentir os teus gemidos
Que me fazem música, dança e suspiros
Na brevidade do ato
Assinemos nas lembranças
A eternidade da conjugação dos corpos
E da lealdade dos afetos.

Alexandre Lucas    
 
Que o blues regado pela manhã
Descontorça as minhas dores
Leve-me ao embalo leve da pena
E que as  palavras se façam purpurina no ar
 Que o beijo tenha  gosto de felicidade
A leveza do beija-flor
e que a lua seja galopada
e o sol temperado por um blues de arrepiar.

Alexandre Lucas    

domingo, 25 de junho de 2017

Escrevo para acalmar as feridas
Mesmo entre sangues e companheiros
Entre sonhos e cafés
O abraço pode desabraçar
As pontes podem cair
Diluindo horizontes
Fraturas expostas
Podem redescobrir caminhos
O fluxo se renova
Como um rio que nunca tem as mesmas águas.

Alexandre Lucas



No decorrer do verso
Vejo a variação da vida
Uma procissão de maçãs e estilhaços sem luas
Desfilando no horizonte
Um desenho inacabado se refaz
Como nuvens passageiras
A boca espera
O encontro do verso
Para a poesia não terminar.

Alexandre Lucas


Um verso escorreu entre nossas pernas
Tua boca pronunciou
Os mais gostosos palavrões
E pelas manhãs
Vejo calado
Os corpos desfilarem com pudores
Ainda é proibido
Pronunciar prazeres
Corto o silêncio da noite
Procriando maçãs.

Alexandre Lucas


Não diga como devo comer
Eu sinto fome
E tenho pressa
O tempo de barriga cheia
Não é tempo de bons modos
O meu tempo exige
Luta
 E pressa
Não diga como devo comer
Quando não tenho o que comer
Eu, faminto
Tenho meus modos
Que tremam as barrigas
Que me fazem sem comida.

Alexandre Lucas

quarta-feira, 24 de maio de 2017

É quente o lençol da companhia
o verso da manhã que se escreve entrepernas
Conforta o gosto de acreditar
O café desce
nem amargo, nem diabético
Na medida necessária
De um cafuné matinal
Esquentado de delicadezas frouxas.

Alexandre Lucas

Tu que tens um jeito de me querer
Resiliente
Entre os lençóis e pés descalços da vida
afaga o falo na fala do prazer
Que revira a sala da safadeza,
delicadeza é quando abraça
mesmo sobre lençóis de escombros
 tu que tens o jeito teu
eu particularmente ( explosivo) o meu
enrosco-me em tuas pernas
para sentir a fala da companhia
em tempos de guerra e de busca de estrelas.

Alexandre Lucas

Seja flor que se cheire
Mesmo em dias suados
Se abra com a delicadeza
Ponha-se no sol que queima na labuta
E faça fumaça de sonhos
Acenda a lua e faz estripulias de prazer
Plante a flor no vaso que é você.

Alexandre Lucas

Chega abarrotada de desejos
Vem ser cabelo no pente das minhas mãos
 Deixar-me acordado no café quente das tuas entranhas
Esse sorriso disfarçadamente tesudo
Acaricia o texto do encontro
Cuidemos, a temperatura aumentar na devassidão dos pensamentos
E já me quero mar pastoso de nós.

Alexandre Lucas

Ganhei um saco de mentiras
Todas encaracoladas
Quando fui ver
 Um câncer estava instalado
E de tanta ira
joguei fogo
Restou as cinzas
Quem sabe se transformam em adubo
Talvez nasça um baobá
E faço ninho
Ou as cinzas se espalhem entre as poeiras.

Alexandre Lucas

Enquanto dorme reviro o mundo
Soprando sonhos de paz
Teu corpo quente acende os dias frios
A companhia dos teus olhos acessos de carinho
Transbordam com a companhia sincera que dialoga com o cotidiano cheios de ematomas
Não nos afastemos
As mãos se estendem enquanto as lágrimas escorrem
E a poesia nasce com a delicadeza do cuidado.

Alexandre Lucas

Entre as terras e o corpo
uma propriedade
Ninguém vê o corpo transitar livremente pelas terras
Nem terras sem corpos protegendo
Quem consome quem
 Dualidade cercada
Desinventemos as linhas que separam e as asas que se cortam.

Alexandre Lucas

Usa todas as tuas canetas
Nenhuma será vermelha
Teu sorriso plástico e amarelo
Combina com teu sangue azul
Azul de pássaro bicudo
A matemática aponta valores
Que somados fazem mentiras voarem como verdades
Não tenho canetas,
Apenas uma cueca suada
Sem nenhum valor.

Alexandre Lucas

Pergunto-me que são os companheiros?
Em que trincheiras estão e por que se movem ?
Na hora que sentirem sede como dividirão a agua?
Quando outro companheiro for abatido quem quem se fará maca?
Qual será a sua bandeira na hora do poder?
 Entre os companheiros, existem parasitas que se pintam de estrelas cadentes, usam ternos vermelhos, abraçam os operários e pousam para fotos
alargam seus pulos para o privado poder
Acertaremos as contas,
 Sempre é hora de perguntar
O que é isso companheiro?

Alexandre Lucas

Esperando, esperando, esperando...
No caminho tem uma pedra,
Não é de Drummond
No caminho tem uma vidraça
 No caminho
Restará a pedra e cacos de vidro.

Alexandre Lucas


A negligência esbanjou
A corte burguesa
Com ares de vermelho artificial
A história açoita o trabalhador
Sem licença, sem ser cortês
E a paciência se esgota como molotov.

Alexandre Lucas

Daria-te um buquê de spray de pimenta, o tempo não está para flores
Entre a bomba e o relógio não existe distância
A inércia da caneta do poder esquenta a irá
Reservo mil palavras descompassadas
O vaso da paciência
Ficou triturado
Dois passo para trás
Só para pegar impulso.

Alexandre Lucas





sexta-feira, 7 de abril de 2017

Na geografia dos sentimentos
A estratégia de ataque e defesa
Nem sempre é favorável
O território é esfumaçante de egos
A paisagem se deforma
E os lugares são habitáveis de incompreensões.

Alexandre Lucas

Os dias passam
E a dor do outro ( a minha dor)
Perambula num campo minado
Nos gabinetes se esbanjam desdém
e tentam se escondem em carapuças vermelhas
os pavios estão acessos
no centro da mente humana.

Alexandre Lucas


As horas são  tempos diferentes
Na  burocracia em que o selfie reina
O tempo passa lento
Esmagando quem espera.

Alexandre Lucas                      


Os olhos podem brilhar
Pode  ser as crianças brincando
O gato rebolando com a bola
O beija-flor bailarinando a flor
Mas poder ser a dor que corrói
E o olho não ver.

Alexandre Lucas    
                 

Se me deres o peixe
Comerei,
Amanhã vou precisa de mais peixe
Se me ensinar a pescar
Poderei  comer amanhã e me calar
Não basta
Tenho que aprender a tomar os rios e os mares
Com todos aqueles que sentem fome.

Alexandre Lucas                      


A lua de tão descantada
Demitiu-se dos céus
A noite sem traços e luzes
Deitou-se  solitária
E fez cair uma chuva
Destas de inundam a imensidão da vida
E depois floresceu taquinhos de esperança
Desses que deixam os olhos moles e brilhantes.

Alexandre Lucas                      


O pão nunca vem integral
Quando o trabalho é Social
E a divisão privada
Persiste uma cortina
Que separa a carne humana
As casas, os direitos e os sonhos
Existe uma fome e uma comida jogada fora
Um dia tudo vai estourar
A  exploração não é casamento eterno da humanidade
Divorciarmo-nos desde o princípio
E cobremos cada pão que nos foi roubado.

Alexandre Lucas                      


Nesta noite atormentada queria ouvir a música do teu olhar
Ser abanado com o contágio do teu riso,
comer o banquete de desejos
Beber dos teus lábios
E sentir o teu corpo
Abraçado no encanto
Dos encontros.

Alexandre Lucas                      


Desde cedo soube o significado da palavra miúdo
Nas gigantescas coisas da vida
Apenas me fartaram as menores
A escrivaninha  sonho de um escritor pequenino
Era uma mesa que para tudo servia
A carne era pouca
Como  a incerteza do pão de amanhã
Até os amores eram miúdos
E a felicidade passageira
Foram de amiudados pedaços
Que descobrir a existência dos graúdos.

Alexandre Lucas                      


Gozo com as palavras
No íntimo prazeroso da alma
Na caverna do submundo das dores
Quando era invisível
Atirava a palavra na parede
Pichava a cidade  necrotério e silenciosa
Só para escutar os burburinhos de que eu existia.

Alexandre Lucas                      


Um dia sonhamos como pássaros que queriam ser leves e livres
Voamos nos sonhos do outro
Eles  pesam ( os sonhos )
 e caímos
Com todas mentiras que um dia foram verdade
Ainda em traços ralados
Persistimos  em voar
As feridas abertas
Ainda fazem asas fechadas
Que ensaiam o toque nas nuvens.

Alexandre Lucas                      


Manda-me uma de tuas poesias
Para um dia frio,
Que ela venha cheia de imagens
Cheiros e gostos
As palavras impregnem nos poros
Traga  o molhado dos teus desejos
Posta a tua poesia mais vermelha
Encandeada de vontades.

Alexandre Lucas

domingo, 5 de março de 2017



Hoje diria mil desaforos
Machucaria todos os momentos
Que um dia me fez feliz
Quebraria os copos, os pratos
E todas as mentiras que acreditei
Talvez saísse uns gritos engasgados e uma represa de choro quebrasse
Ainda assim permaneceria
Humanas estátuas carregadas de dureza e desumanidade.

Alexandre Lucas


A cama preenchida de cachos
Ondula desejos
Resta um doce espalhado entre os lençóis
Hora de arrumar a cama
Tomar banho
Vestir a roupa e saculejar um adeus.

Alexandre Lucas


Um poema apertado
Entre o que não se quer dizer
E a pressão de querer se manifestar
feito nó cego
O poema não desata
E se guarda.

Alexandre Lucas



Escreveria em tuas pernas
Um manifesto de prazer
A língua fiel escritora da tua pele
Deixaria em carrossel seus sentidos
Deitado sobre a presença
Transcrevo lembranças.

Alexandre Lucas


Sem cerimônias atravessaria os teus olhares
Entrelaçaria tuas pernas em minha cabeça
Até sentir gemidos trêmulos
Tua respiração descompassada
Não faria nenhuma jura de amor
Guardaria teu corpo nas minhas lembranças
E queimaria todas as promessas imaculadas.

Alexandre Lucas

Os contratos entre os corpos tem prazo
Alguns passados no papel , outros no sagrado e ainda aqueles passados na língua
Duram às vezes uma noite inteira
As vezes uma mexida de nuvens
Outras vezes um tempo definido que não se define
Esse corpo que é meu, até parece que é teu
Mas se for ver
 aqui tem porta
E ai também
Se entra sem permissão
Não é contrato
É invasão.

Alexandre Lucas

Não consigo lembrar o afeto que me contagiava à noite
Devia ser intenso,
Hoje resta, cacos pontiagudos que contam o carinho
E que deixam as noites silenciosas e dolorosas
Como num velório
Em que os risos são contidos
e as ideias embaraçadas
Enterro, a noite
Para que os dias renasçam brilhantes
escaldantes e cheios de amor.

Alexandre Lucas


Com quantos poetas definiu a noite?
A noite é tua
Faz dela o que quiser
E os poetas?
Eles, lógico, não são teus
Podem até definir a tua noite.

Alexandre Lucas


Estava ali na mesa
Entre o pão e a manteiga
Uma xícara de choro
O tempo estava frio
Como as almas áridas
Pensei no ultimo gole
Da Água-ardente
E no sorriso das crianças
Liquidifiquei os pensamentos
Passei na peneira
E bebi em lentidão.

Alexandre Lucas


Só isso
Passe pela outra rua
Essa é calçada de ferida
Aberta
Só quero evitar que a insensiblidade se instale
A gente é um pedacinho de carne viva e uma infinidade de sentimentos
Uma rua machucada
Em que o cano do coração
Estoura em tempos ácidos
E as pedras dão cascudos
Nos caminhos empinados.

Alexandre Lucas

Declaro para os devidos fins e a quem interessar possa
Que todos os dias remendo
Partes de mim
ou ainda completo
Partes que me faltam
Carrego cicatrizes
Que de tão profundas
Atravessam a alma e a epiderme
Aqui reina saudades, lembranças,
Medos e vários punhados de dores,
Hora e outra, (as vezes demora muito tempo )
corto os cabelos
Preparo o caldeirão
E jogo porções de tanta coisa boa
Que sou capaz de voar de tão leve que a alma fica.

Alexandre Lucas


Hoje a saudade veio como chuva
Inundou de lembrança a estrada
Orgulhoso o sol logo veio
Mais um dia árido
Resiste
Entre as flores que continuam a brotar em tempos de chuva e aridez.

Alexandre Lucas


Não sou o  pão da esquina
Que está ali para ser comprado e comido
Ou só comido, como arroz e feijão
Não venha  me passar manteiga
E encher o bucho
E depois  virar de lado
Jogando uns trocados
O pão da esquina fica parado
Para ser bulinado
Enquanto gente
Pinota, dar cambalhotas  e goza
Grita e chora, recua e diz não
Gente, não é pão!

Alexandre Lucas

Surge o  nascimento de braços
Alumiados de esperança
em cada casa sem chaminé
nos sacos vazios
de uma vida inteira
Em cada Jesus sem Nazaré  que já nasce crucificado
Não haverá trenós, nem barrigudos do consumo
Nem ceia farta para um único dia
Quando cada castelo for ocupado,
A  comida deixar de ser   uma preocupação constante  
A felicidade não ter placas de  venda em cada esquina
E  a confraternização  ficar impossibilitada de ser orquestra artificial
Defumando ilusões
Nem o natal capital, nem migalhas de caridade
Quando o povo tiver que mendigar a felicidade,
Em doses homeopáticas
De apatia humanitária.    

Alexandre Lucas

Escreve no meu corpo e guarda segredo
Esquece os jornais
 notícia no meu ouvido
O teu release de prazer
A matéria terá argumentos
E sairá quentinha
eu e você na redação
Escrevendo narrativas
Deliciosas nas páginas da pele
E  leituras reviradas
De afetos e temperos singulares.

Alexandre Lucas

Que todos os molotovs sejam declarações de amores
Espalhadas pela cidade
Estilhaços de fraternidade impregnem nos desejos
Que o caminhar possa ser com as mãos  livres
 para que possamos dançar soltamente
e que a partilha seja como como o ar
se não existir nada brotará.

Alexandre Lucas

Enquanto vou me acordando
Sinto o cheiro quente dos teus seios
Lembro do café feito de gente
Nos  provamos
Entre pernas, mãos e línguas
As únicas canções que escuto
São galopes e uma sequência inumerável  de hum
Debulhados
Já podemos dizer bom dia.

Alexandre Lucas

No meio do caminho tinha uma fita de cetim
Balançando
De todas as palavras pronunciadas
De todos os gemidos professados
De todos os olhares
Diante da fita de cetim
Apenas o silencio do seu balançar.

Alexandre Lucas

Ajoelhou-se sem penitência
Com delicadeza e sem protocolos
Fez o meio transbordar
Escreveu no  seu rosto um poema de prazer.

Alexandre Lucas

Deixe que as línguas sejam maliciosas
Que a boca revire os sentidos
Que os dentes façam percursos tatuados de prazer
Deixe apenas aquilo que quiser
Que deixo aquilo que me for permitido.

Alexandre Lucas

Trafega as tuas mãos sobre meu corpo
A água escorre
Tua boca fresca, teus olhos vivos
O banheiro
Pernas entrelaçadas
O banho de línguas
Uma pausa para um curto-circuito
O chuveiro goteja
Meus olhos respiram
As paredes e os braços se abraçam
Enquanto planejamos o próximo banho

Alexandre Lucas

Sair com o coração amputado, mas sair
Ganhei um livro inteiro de Maiakóvski para tomar com cappuccino
Com todas as quebras e quedas
Que compõe a  sua poesia ácida
Árida,
A sua poesia vida
Veio a massagem
Como curativo da alma
Antes de desmoronar
devore poemas Maiakóvskianos e insulte o vento
Para que ele decomponha
a tristeza em partículas  imensuráveis.

Alexandre Lucas

Não me peça perdão
Depois das flores violadas
Árido  me reinventou na resistência
Como mandacaru bem espetado
Sobrevivo com pouca frescura
O sol tempera
A chuva que se afasta
Aguarde, de tempos em tempos
Brotará lindas e pequenas flores vermelhas num cacho de espinhos
Pegue com cuidado
Ou deixe quieta
Para que elas sobrevivam sem feridas.

Alexandre Lucas

Plenamente nunca sou
Os baralhos na mesa
São cartas curtas de histórias inventadas
Como poemas de açúcar
Tem vida curta
Depois de toneladas  adocicadas de afeto, todas com prazo de validade vencida
Sempre desconfiamos
Plenamente.

Alexandre Lucas

Desconfio do silêncio
Da cidade cinza
Da franquia da vida
Da robotização da fala
Da propriedade privada
Desconfio de cada fio
Do beijo sem suspiro
De sexo sem orgasmo
Do Deus bancário
Do amor de fotografia
Desconfio de mim
Só desconfio mesmo
Por está vivo.

Alexandre Lucas

Lágrimas se tecem num corpo surrado, já é tarde.
As palavras se espremem
Na sensibilidade, o verso sai ferido
A liberdade ainda tem longos passos,
O tempo exige resistência!
Amanhã, o corpo será sussurrado e as lágrimas saíram brancas de felicidade.

Alexandre Lucas

Tuas pernas desenham sexo na minha cabeça
Inevitavelmente,
Mas prefiro as passadas das tuas palavras
Que fazem andança profunda
Nas curvas da minha admiração
O que seria das tuas pernas sem a composição das tuas palavras?
Poderiam elas afinar, engrossar, enrugar e encabelar    
Só não pode você faltar  com a palavra.

Alexandre Lucas

Que o corpo não seja apenas
A selvageria que se quer
Uma válvula para extorquir prazer
Ainda em tempos de posse
A extorsão do gozo é uma liminar do patriarcado
Que o gozo seja mais amplo
que se entrelace entre as conversas ao pé do olhar
e aos sussurros de tremer pescoço
que ele tome banho após o riso
e que sem pressa  ele preencha de delicadeza
o corpo, os seus contextos e a selvageria.

Alexandre Lucas

No encosto da parede
Seguro minhas pernas trêmulas
Enquanto você segura
Ajoelhada e freneticamente inquieta,  meu meio
Na sua  sentença de prazer
Contorço-me
Enquanto me espalho como hidratante no seu rosto
E assim vamos povoando a alma com a carne.

Alexandre Lucas

Miçangas de conto
Contam uma história sucinta
A porta que abriu,  ficou derrubada.
Pronto, era apenas um microconto
O restante cabe na tua imaginação.  

Alexandre Lucas

Deslizo segredos sobre teu corpo
A linguagem da língua,
Botam em erupção a tua pele  
Vulcão de lavas-corpos
Derretem-se
Entre as contorções
Sorridentes do prazer

Alexandre Lucas

Que não falte carambolas,  chocolate e  hortelã
Para estrelar a dança dos desejos
Saculejar a partilha
Da pele friccionada a outra pele
Versos da epiderme
Que venha os molotovs de Feniletilamina
Para florar de tesão os encontros
Nus
E debulhar a sabedoria das trocas.

Alexandre Lucas

A mesa guarda ainda as lembranças do café
Suas pernas cruzadas
Esquenta tuas entranhas e meus pensamentos
Apenas uma blusa leve
Cobre teus seios limão
Seus dedos dedilham
Poemas eróticos
Deitado
Imagino
As  minhas mãos decompondo
O silêncio,
A nudez fazendo carnaval
Num frevo matutino.

Alexandre Lucas

Comer à mesa
Aponta a forma correta
De  falar como se  vai comer
Possivelmente poderia
Comer na mesa,
com a comida espalhada na mesa, comer!
se não fosse negado comer
poderia se comer à mesa e na mesa
Teve um tempo que nem mesa tinha
E o povo comia
Sempre que tinha fome.

Alexandre Lucas

Dói
A ausência do amor
Como o tombo
No escuro do abismo
A espera corroe  o brilho
As lágrimas chicoteiam a esperança
A casa continua sem portas
Esperando que um dia
Você se faça presente
Não tarde, posso não suportar.

Alexandre Lucas

Deixou-me  por alguns instantes sem as pernas,
Deixe-me sempre
Em contorções  e esparramado pela cama
Acorde-me cedinho
sentindo as estrelas e a boca
Lenta e devoradora
Conte-me uma história de luta  pela vida e sorria,
antes de sair
Escreva no espelho do banheiro: bom dia.  

Alexandre Lucas
Não me interessa a poesia que codifica o código
Que faz da junção das palavras
Um cálculo complexo
Que fala para poucos
Nem  a que fala para muitos e nada acrescenta
Gosto mesmo é daquela poesia
Que me deixa de pé
Cheio de tesão
E do poema que em cada verso chama-me para a luta
E daqueles de tão meigos
Fazem
Ventania nos olhos
A poesia pode tudo isso:
Tamanho, métrica e ritmo
Rima,  forma, adereço e enredo
Se  ela não tiver  a palavra que  toque e o verso que afete
Não  me interessa .

Alexandre Lucas


23/1 16:57] Alexandre Lucas: Um dedo que não pede silêncio
Separa nossos lábios que se desejam
Nossas pernas continuam querendo se encaixar
Nossos pescoços se acolhem
Esses nossos olhos brilham
De afeto
O tempo acelera as emoções
A alma lateja de alegria
E fico aqui embebecendo os pensamentos da tua companhia

Alexandre Lucas

Esse poema carregado de brilhos nos olhos
Que faz mar e que se adocica no tempo
que agarra no olhar,
que abana as palavras com frescor
esse  poema vestido de pura nudez
de cabelo assanhado
de toque suave
que entra dançarino
no banquete da alma
Esse poema lindo
Feito brincadeira  de criança que encanta
Poema atrevido,  teima em ser feliz
Não é de Neruda, nem de Drummond, nem Vinicius
É um poema feito   na rede
No balanço  que não termina
No aconchego
Nas lembranças dos beijos
É um poeminha que germina
Com os olhinhos fechados e
Uns sorridos esbugalhados.

Alexandre Lucas

A rede vazia e trago  você aqui com esses olhinhos que me fazem sorvete
Derretido e doce
Ensaio um eu te amo
Cacheado de estrelas verdes
As estrelas verdes existem
E são bordadas de delicadeza
Tem pontas fininhas
que de tão  macias
Nós deitamos para sonhar.

Alexandre Lucas

Eu que tenho um relacionamento amoroso separado
Assinado no papel dos meus olhos
Que entre tantas vírgulas e quase pontos
Cheguei a pensar  que os versos  acordariam  descrentes
Mas eles se fizeram emaranhados de cachos
Com pontas de afetos para todos os lados
E eu que pensei que os versos adormeciam  ou enlouqueciam
E ponto final
Decreto, infinitamente impossível
Declaro, o verso pode ser o que você quiser
até um relacionamento amoroso e separado.

Alexandre Lucas

No banho jorra água e lembranças
A toalha
Nossos corpos afogueados e nossas mãos de cuidado
Esse olhar particular
Que acaricia a intimidade da alma
O espelho que nos fotografa em risos
Sem modéstia
A felicidade germina.

Alexandre Lucas

O tempo frio, a chuva massageia a vontade de sonhar
Escancaro lentamente um som instrumental
Fecho os olhos para escrever  um poema cacheado
Ele vem Afrodite
Dançando como uma folha ao vento
Abro a porta e  deixo os brilhos rodopiarem
Fitas de cetim se cacheiam na ventania dos desejos
E um pássaro anuncia pelos céus a alegria de voar

Alexandre Lucas







sábado, 4 de fevereiro de 2017

Quando vejo a rede penso no fogo
Nas juras de amor,  no amparo da parede
No olhar embriagante
Junto tudo
e faço fogueira  nas lembranças
elas insistem em permanecer
entretanto, se antes tinha gosto de chocolate
fiquei diabético e quando me vem a lembrança
só lembro do gosto do pimentão
Odeio pimentão
Pausa, até me veio uma ânsia de vômito.
É isso que os pimentões me causam.

Alexandre Lucas


Que o corpo não seja apenas
A selvageria que se quer
Uma válvula para extorquir prazer
Ainda em tempos de posse
A extorsão do gozo é uma liminar do patriarcado
Que o gozo seja mais amplo
que se entrelace entre as conversas ao pé do olhar
e aos sussurros de tremer pescoço
que ele tome banho após o riso
e que sem pressa  ele preencha de delicadeza
o corpo, os seus contextos e a selvageria.

Alexandre Lucas

Tuas pernas desenham sexo na minha cabeça
Inevitavelmente,
Mas prefiro as passadas das tuas palavras
Que fazem andança profunda
Nas curvas da minha admiração
O que seria das tuas pernas sem a composição das tuas palavras?
Poderiam elas afinar, engrossar, enrugar e encabelar  
Só não pode você faltar  com a palavra.

Alexandre Lucas

Todas fraturas estão expostas
No momento não resta leveza
O sangue jorra com explosão
Os cachos se embolaram com chiclete
Cuspir no chão e não esperei secar,
Ordenei-me, dissipa
cacho a cacho
Um dias eles crescem.

Alexandre Lucas

Desconfio do silêncio
Da cidade cinza
Da franquia da vida
Da robotização da fala
Da propriedade privada
Desconfio de cada fio
Do beijo sem suspiro
De sexo sem orgasmo
Do Deus bancário
Do amor de fotografia
Desconfio de mim
Só desconfio mesmo
Por está vivo.

Alexandre Lucas


Nem sigilo, nem segredo, nem discrição
Um desejo escancarado de acreditar
Todos os holofotes sorriam, até vejo as luzes se abrindo de felicidade ( tudo passa)
 Certo dia, as luzes se apagaram
a lira se fez ira
e o amor? Socou-se no liquidificador.

Alexandre Lucas


Não me peça perdão
Depois das flores violadas
Árido me reinventou na resistência
Como mandacaru bem espetado
Sobrevivo com pouca frescura
O sol tempera
A chuva que se afasta
Aguarde, de tempos em tempos
Brotará lindas e pequenas flores vermelhas num cacho de espinhos
Pegue com cuidado
Ou deixe quieta
Para que ela sobreviva sem feridas.

Alexandre Lucas

Sair com o coração amputado, mas sair
Ganhei um livro inteiro de Maiakóvski para tomar com cappuccino
Com todas as quebras e quedas
Que compõe a sua poesia ácida
Árida,
A sua poesia vida
Veio a massagem
Como curativo da alma
Antes de desmoronar
devore poemas Maiakóvskianos e insulte o vento
Para que ele decomponha
a tristeza em partículas imensuráveis.

Alexandre Lucas


Meus olhos tremem
Não é um ensaio de delicadeza
Os dentes se juntam
Como bicho que precisa gritar
Escuto o barulho do silêncio
Os carros transitam com seus motores na minha cabeça
Leio um poema agressivo
Que mata o amanhã
Defino o horizonte sem lágrimas
Por hoje a ternura só começa amanhã
A terra precisa de adubo
Um corte sangra
É tempo de esperar
O corte sarar.

Alexandre Lucas

Plenamente nunca sou
Os baralhos na mesa
São cartas curtas de histórias inventadas
 Como poemas de açúcar
Tem vida curta
Depois de toneladas adocicadas de afeto, todas com prazo de validade vencida
Sempre desconfiamos
Plenamente.

Alexandre Lucas

A verdade é uma mentira que faz bem
Hoje esmagarei o lirismo
As flores não mucharam
Antes disso tocarei fogo
Encherei uma garrafa de Maiakóvski
E me embriagarei das mentiras mais verdadeiras
Serei curto e direto
Afaste-se
aqui resta fogo
E uma carne ferida
Dos açoites
até daqueles com rosas
Carregadas de fino espinho
Hoje é dia de ficar deitado sem encontrar respostas
De jantar sem luz de vela
De mastigar sem vontade
De arrotar no meio da praça
De chutar todas as latas
De beber toda a lucidez
De trepar com a dor sem nenhum amor
De cuspir na sala
De escrever desaforos
Aguarde
Quando tudo explodir
Um novo verso mentiroso sairá rasgando a felicidade alheia.

Alexandre Lucas

O tempo frio, a chuva massageia a vontade de sonhar
Escancaro lentamente um som instrumental
Fecho os olhos para escrever um poema cacheado
Ele vem Afrodite
Dançando como uma folha ao vento
 Abro a porta e deixo os brilhos rodopiarem
Fitas de cetim se cacheiam na ventania dos desejos
E um pássaro anuncia pelos céus a alegria de voar

Alexandre Lucas


O que será de nós?
Pouco me importa!
Quero provar da maçã
Enquanto tenho fome e ela não se estraga
Quero sentir a mordida que transcede meus sentidos
Sentar na praça e escutar o som dos pássaros
Brincar com as crianças
E sentir a leveza dos sorrisos
Sentir a tua boca pronunciar desejos
Andar lado a lado nas trincheiras de luta
Bordar flores a cada encontro
Fincar presença em cada choro
Ajuntar sonhos
Se nada disso acontecer
 Não culparemos a tentativa.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Que os pássaros tivessem o canto dos teus gemidos
Para enfeitiçar as manhãs
Essas tuas mãos se fazem asas no meu corpo
faz me voar
E sentir o sumo 
Fervilhante das tuas entranhas
Engole-me com a selvageria necessária de carinho
E depois olha para os céus e brinca com as estrelas que se fazem tão perto.

Alexandre Lucas
Que os pássaros tivessem o canto dos teus gemidos
Para enfeitiçar as manhãs
Essas tuas mãos se fazem asas no meu corpo
faz me voar
E sentir o sumo 
Fervilhante das tuas entranhas
Engole-me com a selvageria necessária de carinho
E depois olha para os céus e brinca com as estrelas que se fazem tão perto.
Alexandre Lucas
A chuva faz canção na imaginação
Dois corpos se tocam
O prazer fervilha
Enquanto os céus choram
Suamos com a delicadeza 
Do encaixe
No ritmo e na sintonia nos fazemos erupção sorridente.
Alexandre Lucas

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Adeus é escrever com uma faca 
Um poema de Maiakovski no pescoço
A palavra que brotará da garganta sairá furiosa 
Para remoer os redemoinhos da vida 
Adeus é um poema 
Que grita 
Que sangra 
Adeus é uma poema esquecido no quarto vazio de uma exposição dolorosa.
Alexandre Lucas

Segue viajem 
Entre um aborto e outro 
Não se brota flores 
Das dores da vida se escolhe aquela que se quer 
Existe aquelas menores e outras maiores 
Com uma dor temos que casar 
Não para a vida eterna
Talvez para fazer florir primaveras.
Alexandre Lucas

Não sou o pão da esquina 
Que está ali para ser comprado e comido
Ou só comido, como arroz e feijão 
 Não venha me passar manteiga 
 E encher o bucho 
E depois virar de lado
Jogando uns trocados
O pão da esquina fica parado 
Para ser bulinado 
Enquanto gente 
Pinota, dar cambalhotas e goza
Grita e chora, recua e diz não 
Gente, não é pão!
Alexandre Lucas

Surge o  nascimento de braços
Alumiados de esperança
em cada casa sem chaminé
nos sacos vazios
de uma vida inteira
Em cada Jesus sem Nazaré  que já nasce crucificado
Não haverá trenós, nem barrigudos do consumo 
Nem ceia farta para um único dia
Quando cada castelo for ocupado,
A  comida deixar de ser   uma preocupação constante  
A felicidade não ter placas de  venda em cada esquina
E  a confraternização  ficar impossibilitada de ser orquestra artificial
Defumando ilusões
Nem o natal capital, nem migalhas de caridade
Quando o povo tiver que mendigar a felicidade,
Em doses homeopáticas
De apatia humanitária.    

Alexandre Lucas
Escreve no meu corpo e guarda segredo
Esquece os jornais
 notícia no meu ouvido
O teu release de prazer
A matéria terá argumentos
E sairá quentinha
eu e você na redação
Escrevendo narrativas
Deliciosas nas páginas da pele
E  leituras reviradas
De afetos e temperos singulares.

Alexandre Lucas

Era apenas um sonho

Uma parede verde  falava

Sem nenhuma palavra

Os  beijos eram gemidos

E parecia um blues

Os dedos se faziam pirulitos

E o corpo traquinava de felicidade

Ninguém queria acordar 

Como em todo sonho bom.


Alexandre Lucas

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Teu corpo desfila em meus pensamentos
A parede aguarda tuas mãos para o alto
Nada de assalto, quando existe reciprocidade   
Entre línguas e versos,
rolaria  pela cidade e em cada reduto teu
Na mesa desbulharia a vida e sua flor rosada
Encheria de risos, palavras e gozos
Na certeza que o outro ser
Não empacotou nas prateleiras do supermercado.


Alexandre Lucas 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Aquela canção foi cantada com versos quebrados
Com ritmo sem compasso
E de tão quente, tudo se desmoronou
Resta as cinzas dos versos
Para adubar uma canção sem fogo.
Alexandre Lucas

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Passaram arames por terras e corpos
Para determinarem donos
Em pedaços privados
Saquearam a liberdade
O livre é sempre um absurdo
Num mundo de terras e sentimentos perversamente divididos
A maçã nunca foi pecado em terra sem dono  
Que toda posse e prisão  na cabeça faça abolição
Que todas  as terras  sejam uma só terra  para cultivar o amor
E partilhar o pão.  


Alexandre Lucas 

quarta-feira, 27 de julho de 2016



Entre as paredes
Picharia o teu corpo
Com os versos entranhados na língua
E molhados na memória
Entre as partes que nos cabe e as  paredes
quebraria o silêncio
E cantaria canções gemidas
Em pontes liquidadas de suspiros


Alexandre Lucas   
Um chá de alecrim 
Ou uns goles de café
Os teus olhos com frases entorpecidas
Tuas mãos decididamente carinhosas
E a mesa pedindo um   quarto
E  vielas do prazer
logo me visto de você
e nu diálogo com o mundo.    


Alexandre Lucas 

quinta-feira, 21 de julho de 2016


No quarto
4 por 4 e eu no meio 
Apenas 
Para respirar sem motores 
Atropelos e poeiras.
Que as lágrimas limpe 
As dores que espreme o corpo e a alma
No quarto que me cabe apenas de 4.

Alexandre Lucas

Aceito um café, um corpo e uma poesia 
Aceito os delírios da cama 
Os lírios coadjuvantes de um gozo 
Os braços e a polpa da tua rebeldia 
O teu não que é barricada para revolução.


Alexandre Lucas

domingo, 26 de junho de 2016

Que a alma toque canções suaves
Pois o coração pede um baile de borboletas
O tempo terá outros horizontes
O sorriso brotará
E as as luas serão filhas do amor

domingo, 10 de abril de 2016

Deixem-me só,
Quando o teu  meio foi o único caminho
E  as palavras se amiudarem
A tal ponto não existirem
Antes do teu corpo e da tua saliência
Prefiro a tua procissão de sapiência
Agora sim, teu corpo nu
Tecido  sem protocolos
Alcança as estrelas de olhos fechados
Silêncio:
Uma exploração anuncia: Respirações profundas
Não vista a roupa
Se não ficarei só.

Alexandre Lucas 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quando eu estive em prantos
Quero o teu fogo
Não se afaste,
Taque com a tua língua, teu fogo
acalme meu corpo 
Enrosque seus gemidos
Em meus delírios.
Depois leia as minhas mãos
E meus olhos descaídos
De te querer
De pranto
Vou querer ser manto.

Alexandre Lucas

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ocupa
Entre as distâncias 
Um bem querer 
De um nível indecifrável 
Um pé de doce no caminho 
E vidas em feridas abertas
Um olhar de cuidado
Entre teias que se entrelaçam.


Alexandre Lucas 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Que o seu corpo não se estenda na mesa
como carne no prato
Que o seu suspiro não seja de alivio
que suas palavras se alinhavem aos meus sorrisos
e que praça testemunhe a nossa luta e nossos abraços 
que as manhãs tenham gosto de noites afetivamente quentes
e que a poesia nunca nos falte, como o pão e a vida.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Queria olhar pra trás e te encontrar
ver os teus olhos como manto
Segurar a tua mão e sair correndo
criando bosques de alegrias
Enquanto isso planto desejos leves
para campos de paz.

Alexandre Lucas

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Nós estamos juntos
Mesmo quando as distância nos impede
de dançar com as  nossas línguas
quando nossos corpos não estão enroscados
Estamos ocupados  e contidos
Mesmo quando os olhos ficam nas lembranças
Você transpira em risos
Estamos juntos contidamente
Em flores descontroladamente leves.


Alexandre Lucas